O ponto certo não deve ser somente o de maior movimento de pessoas, mas sim o que permitir que a categoria do seu negócio funcione naquele local.
Parece óbvio quando está escrito assim, mas a ordem em que a maioria das pessoas toma essa decisão é outra.
Primeiro vem a localização, depois o preço do aluguel, depois a assinatura do contrato. A pergunta sobre licença aparece só quando a reforma já começou.
E é aí que o problema fica caro. Porque a essa altura já existe contrato assinado, aluguel pago, obra em andamento e, em muitos casos, uma data de inauguração divulgada.
Este artigo reúne as cinco verificações que mudam essa ordem.
Este é o item que mais surpreende quem está abrindo o primeiro negócio: um imóvel comercial não aceita qualquer atividade comercial a depender do normativo local.
O que define isso é a legislação de uso e ocupação do solo. Cada lote recebe uma categoria de uso, e cada categoria tem uma lista de atividades liberadas, organizadas pelos códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas, a CNAE. Quando a sua atividade não consta naquela categoria, ela está restrita naquele endereço, mesmo que o imóvel seja indiscutivelmente comercial e mesmo que o vizinho de porta faça algo parecido.
Dois pontos comerciais na mesma quadra podem ter respostas diferentes. Não é exceção, é o funcionamento normal do zoneamento urbano.
No Distrito Federal, essa resposta vem pela Viabilidade de Localização, autorização prevista na Lei nº 5.547/2015 é concedida com base na legislação de uso e ocupação do solo, considerando aspectos urbanísticos, ambientais, de horário de funcionamento e de preservação de Brasília como patrimônio cultural. A consulta é gratuita e não exige documento nenhum do interessado, o que a torna a checagem de melhor custo-benefício de todo o processo.
Em outras cidades do país o instrumento muda de nome, e costuma aparecer como consulta prévia de viabilidade ou certidão de uso do solo emitida pela prefeitura. A lógica é a mesma.
Dois detalhes fazem diferença aqui:
A segunda verificação não é sobre o seu negócio, é sobre a construção.
Ter a viabilidade aprovada não significa que a edificação está regular. São análises distintas, feitas por instâncias distintas. A concessão da viabilidade, inclusive, não reconhece a regularidade da edificação nem qualquer direito sobre a propriedade.
Na prática, você precisa saber se o imóvel tem carta de habite-se ou se foi construído a partir de projeto aprovado, com a devida responsabilidade técnica. Isso aparece no momento do licenciamento, é um ponto sem habite-se pode travar a operação inteira mesmo com todo o resto em ordem.
Peça esses documentos ao proprietário antes da assinatura, não depois. Um locador que não consegue apresentá-los está te dizendo algo importante sobre o imóvel.
A área declarada no contrato precisa corresponder à área real do estabelecimento, e a área real precisa atender às exigências da atividade que você vai exercer.
Isso importa por três motivos:
Um salão bonito de 40 m² pode simplesmente não comportar a atividade que você planejou para ele.
Quase todo ponto comercial passa por adaptação. A pergunta é se a adaptação que você tem em mente depende de aprovação prévia.
Alterações de fachada, mudanças estruturais, ampliação de área construída, criação de mezanino e instalação de coifas e chaminés costumam exigir projeto aprovado antes da execução. Começar a obra e regularizar depois é o caminho que mais gera embargo.
Em Brasília, esse item ganha uma camada extra. O conjunto urbanístico tombado impõe restrições de fachada, gabarito e ocupação que não existem em nenhuma outra cidade do país, e essas regras mudam conforme a área.
O que é aprovado em uma região administrativa pode ser inviável em outra.
Esta é a proteção que quase ninguém negocia, e é a mais barata de todas.
Se as quatro verificações anteriores forem feitas antes da assinatura, o risco cai muito. Mas processos de licenciamento envolvem prazos, exigências e vistorias, e nem tudo está sob o seu controle.
Vale conversar com o locador sobre incluir no contrato:
Um locador que já alugou para negócios semelhantes costuma aceitar essa conversa sem resistência. É sinal de que ele conhece o próprio imóvel.
Nenhuma dessas cinco verificações é complexa isoladamente. O que as torna difíceis é o momento em que costumam ser feitas.
Checar antes custa alguns dias e, em boa parte, nada. Descobrir depois custa os meses de aluguel já pagos, o investimento da obra que não pode ser aproveitado em outro endereço e o tempo de operação que o negócio perde antes mesmo de existir.
O ponto certo não é o que parece melhor. É o que resiste a essas cinco perguntas.
A Itaóca faz esse estudo de viabilidade técnica e legal antes de você se comprometer com um endereço. Manda a localização e a atividade que você quer exercer no nosso WhatsApp, e a gente te responde se aquele ponto realmente funciona para o seu negócio.