Comprar um imóvel é a realização de um grande sonho e, muitas vezes, o maior investimento da vida de uma família. Você passa meses procurando o lote ou a casa ideal, negocia, vai ao cartório de notas, assina a Escritura de Compra e Venda e comemora. A sensação é de dever cumprido, certo?
Na realidade, a resposta jurídica é: ainda não.
No mercado imobiliário, existe uma máxima implacável ditada pelo Código Civil Brasileiro: “Quem não registra, não é dono”. Em Brasília, por exemplo, onde a situação fundiária possui um histórico complexo envolvendo áreas da Terracap e condomínios em processo de regularização, a confusão entre escritura e registro é um dos maiores causadores de dores de cabeça e perda de patrimônio.
Neste artigo, vamos desmistificar esses dois documentos e explicar por que o registro é o passo definitivo para a segurança da sua família.
A Escritura Pública é o documento elaborado no Tabelionato de Notas. Ela serve para formalizar a vontade das partes. Ou seja, ela prova juridicamente que o vendedor concordou em vender e que o comprador concordou em pagar um determinado valor por aquele imóvel.
Ter apenas a escritura guardada na gaveta significa que você tem uma excelente prova de que comprou o imóvel, mas para o Estado e para a Justiça, o dono anterior ainda é o proprietário oficial.
Se a escritura é o contrato, a Matrícula é a “Certidão de Nascimento” do imóvel. Todo imóvel regular no DF possui um número de matrícula único arquivado no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) correspondente à sua região administrativa.
O Registro é o ato de pegar a Escritura Pública assinada e averbar (anotar) essa transferência de propriedade na Matrícula do imóvel.
É somente neste momento, quando o oficial do cartório inclui o seu nome na matrícula, que a propriedade é legalmente transferida.
O Distrito Federal tem uma dinâmica imobiliária única. O rápido crescimento de áreas não regularizadas como Vicente Pires, Arniqueira, Jardim Botânico e Ponte Alta criou uma cultura de informalidade.
Muitas pessoas no DF estão acostumadas a comprar imóveis por meio de Cessão de Direitos (o famoso “contrato de gaveta”) porque os lotes ainda não foram desmembrados ou regularizados pela Terracap ou pela CODHAB. Quando essas áreas finalmente passam pelo processo de regularização fundiária ou venda direta, os moradores correm para fazer a escritura e acreditam que o processo acabou.
Essa falsa sensação de segurança faz com que milhares de brasilienses parem na metade do caminho, deixando o patrimônio vulnerável.
Milhares de brasilienses seguem vivendo em regiões que ainda não foram regularizadas ou que estão fora das áreas de regularização definidas pelo PDOT (Plano Diretor de Ordenamento Territorial). Essa informação é de extrema importância, pois impacta diretamente na segurança jurídica do seu imóvel.
Parar na escritura pública e não levar o documento ao Registro de Imóveis coloca o seu investimento em risco imediato. Veja o que pode acontecer:
Para garantir que o imóvel regular em Brasília seja 100% seu, o ciclo completo deve seguir estas etapas:
Regularizar um imóvel envolve lidar com burocracias, taxas governamentais, cartórios e, em muitos casos, com a própria Seduh ou Terracap. No entanto, o custo da regularização é infinitamente menor do que o risco de perder o imóvel para credores ou grileiros.
Se você comprou um lote registrado no Distrito Federal, construiu a sua casa, mas tem dúvidas sobre a validade da sua documentação, não espere o problema bater à sua porta. Uma análise técnica e jurídica da situação do seu terreno é o primeiro passo para garantir a segurança da sua família e a valorização imediata do seu patrimônio.